Карл Фаберже. История русского ювелира.

04/07/2010

Ovos de Páscoa Fabergé

Filed under: Português — admin @ 4:24 am

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A tradição do ovo de Páscoa é um atributo de um dos dias mais importantes do calendário cristão: o dia de rezar pela ressurreição de Jesus Cristo. De acordo com uma antiga tradição, o primeiro ovo de Páscoa foi dado ao imperador romano Tibério, por Maria Madalena e os apóstolos, que foram a Roma pregar o Evangelho. Na antiga Roma, era costume se levar um presente ao ser recebido em audiência pelo imperador. Os ricos levavam jóias e os pobres, o que podiam. Maria Madalena, na sua vez de se dirigir ao imperador, disse: ‘Cristo ressuscitou’, e lhe estendeu um ovo de galinha. O imperador, duvidando de suas palavras, começou a dizer que ninguém volta dos mortos e que, portanto, o que ela lhe dizia era tão impossível de acreditar quanto um ovo branco se tornar escarlate. Tibério ainda não tinha terminado a frase e o ovo mudou sua cor de branco, para escarlate. A partir de então, os cristãos passaram a se presentear com ovos coloridos, por ocasião da Páscoa.

A tradição dos ovos de Páscoa na Rússia é antiga, data do século X. De início, a Páscoa russa era celebrada com cerimônias que vinham dos tempos pagãos, adaptadas ao Cristianismo. Como a Páscoa no Ocidente coincide com a chegada da Primavera, estação que significa florescimento, renovação, ovos cozidos eram pintados em diferentes cores desde tempos imemoriais e, com o passar do tempo, surgiram os tradicionais ovos de madeira pintados, até hoje uma tradição na Páscoa russa.

O primeiro ovo de Páscoa, comissionado pelo czar Alexandre III ao joalheiro Peter Carl Fabergé, foi feito em 1885. O sucesso do presente dado à czarina Maria Feodorovna foi tão grande que por ordem do czar, o joalheiro passou a criar, todos os anos por ocasião da Páscoa, um ovo diferente, todos maravilhosamente decorados em ouro, prata, diversas gemas (rubis, diamantes, esmeraldas, safiras, ônix, jade, topázio, alexandrita), laca e esmaltes, para a czarina e também para a mãe do czar, a imperatriz viúva Alexandra Feodorovna. Ao todo, o czar Alexandre III comissionou 54 ovos a Maison Fabergé. O czar Nicolau II, tragicamente assassinado junto com sua esposa e filhos em 17 de julho de 1918 pelos russos bolcheviques, comissionou à Maison Fabergé 19 ovos.

A série dos ovos imperiais de Páscoa foi o mais ambicioso projeto comissionado à Fabergé. As condições para a confecção das jóias em forma de ovo foram a forma, a originalidade e a não repetição. A originalidade foi, em geral, inspirada em algum evento da família imperial: casamentos, nascimentos, aniversários, inaugurações. Alguns ovos possuem o monograma imperial e/ou datas, e muitos exibem fotos em esmalte de membros da família imperial. Fabergé levou extremamente a sério a comissão imperial, geralmente projetando ovos com anos de antecedência. Era sempre um segredo a aparência do próximo ovo, e sua entrega era solene, sempre causando deliciosa surpresa em quem a recebia.

Os dois primeiros ovos, cada um inspirado na galinha, foram desenhados e confeccionados sob estreita supervisão. Nos ovos dos anos seguintes, pode-se notar uma inspiração nos primeiros ovos, mas a partir da década de 90 do século XIX, o design dos ovos passou gradativamente a tornar-se cada vez mais audacioso. Os ovos “Carruagem para coroação” (1897), “Lírios do Vale” (1898), e “Palácio Gatchina” (1901), são alguns exemplos do design inovador da Maison. Apesar da audácia inovadora do design dos ovos de Páscoa, a série de ovos para a família imperial russa termina com ovos de design mais conservador, como o ovo “Ordem de São Jorge” (1915) e o ovo “Militar” (1916).

Quarenta e quatro ovos chegaram até nossos dias e cinco outros são conhecidos através de descrições e desenhos. Um dos dois semi-acabados ovos imperiais de 1917 também sobreviveu. Os ovos imperiais se espalharam pelo mundo através de vendas feitas pelos comissários soviéticos nas décadas de 20 e 30 do século passado. Dez dos ovos imperiais permanecem no Museu de Armaduras do Kremlin e onze faziam parte do acervo da Forbes, mas recentemente, no início do século atual, o bilionário russo Victor Vekselberg comprou onze ovos, cujo valor total foi de 90 milhões de dólares. A intenção é mostrá-los ao público, em museus russos. Treze ovos imperiais estão em museus norte-americanos e os dez remanescentes, em coleções particulares.
http://www.historiadajoalheria.com/2008/03/os-ovos-de-pscoa-faberg.html

10/27/2009

Lista de Ovos Fabergé “Imperiais”

Filed under: Português — admin @ 8:27 pm

* 1885 Galinha
* 1886 Galinha com pendente de safira †
* 1887 Relógio da serpente azul
* 1888 Querubim e carruagem†
* 1889 Necessaire †
* 1890 Palácios dinamarqueses
* 1891 Memória de Azov
* 1892 Diamantes incrustados
* 1893 Cáucaso
* 1894 Renascimento
* 1895 Botão de rosa
* 1895 Doze monogramas
* 1896 Miniaturas giratórias
* 1896 Retratos de Alexandre III †
* 1897 Coroação
* 1897 Pelicano de ouro
* 1898 Lírios do vale
* 1898 Muget †
* 1899 Relógio bouquet
* 1899 Amores perfeitos
* 1900 Transiberiano
* 1900 Galinho
* 1901 Cesto de flores silvestres
* 1901 Palácio Gatchina
* 1902 Folhas de trevo
* 1902 Empire Nephrite†
* 1903 Pedro, o Grande
* 1903 Jubileu Dinamarquês†
* 1906 Kremlin de Moscovo
* 1906 Cisne
* 1907 Grinaldas de rosas
* 1907 Troféu do amor
* 1908 Palácio de Alexandre
* 1908 Pavão
* 1909 Iate
* 1909 Comemorativo de Alexandre III†
* 1910 Colunas
* 1910 Alexandre III equestre
* 1911 15º Aniversário
* 1911 Loureiro
* 1912 Czarevich
* 1912 Napoleónico
* 1913 Tricentenário Romanov
* 1913 Inverno
* 1914 Mosaico
* 1914 Catarina a Grande ou Grisaille
* 1915 Cruz vermelha com tríptico da ressurreição
* 1915 Cruz vermelha com retratos imperiais
* 1916 Ovo militar em aço
* 1916 Ordem de São Jorge
* 1917 Madeira de Karelia – encomendado apenas
* 1917 Constelação – encomendado apenas

Fabergé online-Isto É Dinheiro!

Filed under: Português — admin @ 8:17 pm

Desde que aconteceu a Revolução Russa, em 1917, a grife Fabergé, a preferida dos czares e de toda a corte de Moscou, tem sido vista de duas formas independentes.

De um lado, todas as joias e objetos preciosos que remetiam à marca eram sinônimo de disputa acirrada em leilões. Ao mesmo tempo, o nome era usado para uma linha não tão nobre de perfumes, espuma de barbear e cosméticos em geral.

Enquanto as joias ganhavam ares de tesouro raro e adornavam as coleções pessoais da rainha Elizabeth, da Inglaterra, e milionários de todo o mundo, a atriz americana Farrah Fawcett, a eterna Pantera dos anos 70, usava seus cabelos esvoaçantes para fazer a propaganda de um xampu que levava o seu nome, o Fabergé Farrah Fawcet Shampoo.

Essa discrepância acaba de ser encerrada. Os novos detentores do nome Fabergé – o fundo de investimentos Pallinghurst Resources, com foco no mercado de pedras preciosas -, que compraram a marca da Unilever em 2007, pretendem reunificar a grife apenas em torno de sua tradição na joalheria.

E para isso voltam ao mercado prontos para competir com grifes como Cartier e Tiffany’s.

A volta triunfal foi meticulosamente planejada e segue um roteiro nada tradicional.

A Fabergé está lançando uma linha de alta joalheria – a primeira desde a Revolução Russa – com 100 peças únicas e preços que variam de US$ 40 mil a US$ 7 milhões cada uma. Até aí, uma marca que renasce com o peso da Fabergé não poderia fazer diferente.

A questão é que a grife decidiu inovar. Para isso levou a exclusividade ao auge, usando um instrumento mais associado à venda em massa. É que para vender as peças a Fabergé optou por investir em uma sede online.

Ou seja, nada de lojas e muito menos de encontrar a coleção da Fabergé em joalherias comuns. A experiência de compra começa na internet, como uma vitrine.

Para quem se interessar em adquirir suas preciosas peças, há uma equipe de vendas especializada disponível 24 horas por dia, com capacidade para atender em 12 idiomas e capaz de comparecer pessoalmente em qualquer lugar do mundo para terminar a venda das joias no domicílio do cliente. “Isso nunca foi feito antes”, afirma Mark Dunhill, CEO da Fabergé (leia entrevista à pág. 92). No terreno físico, haverá apenas um escritório de vendas da Fabergé em Genebra, na Suíça. Mas ele só abrirá mediante hora marcada.
sem lojas: o atendimento da joalheria terá início na internet para terminar com um contato pessoal na casa do cliente

Com isso, a grife consegue estar presente em qualquer lugar do mundo, transformar a compra de uma joia em uma experiência única e, ainda assim, reduzir os custos operacionais – uma aposta na diferenciação que pode recuperar terreno em um mercado que se expande, apesar da crise, pelos meios eletrônicos.

Para se ter uma ideia, no ano passado o consumo de joias nos Estados Unidos atingiu cerca de US$ 70 bilhões. Desses, US$ 5 bilhões foram em vendas pela internet. “A estratégia é expor de forma sofisticada e estabelecer contato com o cliente a partir disso.

O potencial é fantástico”, aponta Écio Morais, diretor do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM). A Fabergé pretende levar essa estratégia por mais dois anos. Depois, lançará uma coleção de joias finas (mais em conta que as atuais) e uma de alta relojoaria
legado renascido: novos donos contrataram Sarah (foto) e Tatiana Fabergé, descendentes dos fundadores

A nova coleção está dividida em três linhas, a Les Fables, com peças inspiradas nas fábulas russas, a Les Fauves, com desenhos que remetem a russos célebres como o bailarino Diaghilev, e Les Fleurs, com joias de flores, que na Rússia simbolizam o renascimento após um longo inverno.

A ideia é trazer a excentricidade com que a marca ficou famosa na belle époque. Fundada em 1842 pelo letão Gustav Fabergé, foi sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, que a marca tornou-se a joalheria oficial do império russo. Suas principais obras são os ovos de páscoa ornados com pedras preciosas, que se tornaram o símbolo da Fabergé. Sobreveio a Primeira Guerra e caiu a demanda por itens de luxo.

Assim a grife chegou a produzir itens para militares, como pratos, canecas e até partes componentes de granadas. A perda da Fabergé se deu alguns anos depois com a tomada de poder dos bolcheviques, que confiscaram a empresa e forçaram a família a se exilar na Suíça.

Em 1937, Sam Rubin, um americano de origem russa (ironicamente , um membro de Partido Comunista), iniciou um negócio de perfumes com o nome Fabergé. A família original entrou na Justiça mas perdeu o direito de usar o próprio nome. A grife passou por várias mãos, incluindo companhias de cosméticos como Elizabeth Arden, até chegar ao portfólio da Unilever – que a comprou em 1989 por US$ 1,55 bilhão.

Em 2007 foi vendida ao grupo atual, o Pallinghurst Resources, que contratou Tatiana e Sarah Fabergé, duas bisnetas de Peter Carl Fabergé, para participar do conselho da marca. Toda a cartilha para que ela volte ao que era antes está sendo seguida. Por um caminho pouco convencional.
Carolina Guerra

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